Encontraram um planeta supermassivo dançando com três estrelas.

Existem dois espetáculos celestes que acontecem todos os dias na Terra e que deslumbram aqueles que têm um tempinho para assisti-los: o nascer e o pôr do sol. Então, imagine viver em um mundo no qual poderíamos nos encantar com o triplo desses mesmos espetáculos! Pois um planeta assim acaba de ser descoberto e se encontra na constelação de Centauro, a cerca de 320 anos-luz de distância de nós.

Entretanto, antes de você pensar em fazer as suas malas e partir para esse mundo distante e ensolarado, você vai ter que decidir se gosta mais de assistir ao nascer e ao pôr do sol ou de celebrar o seu aniversário — já que cada ano nesse planeta tem duração equivalente a mais de meio milênio aqui na Terra. Brincadeiras à parte, que tal conhecer um pouco mais a respeito desse curioso lugar? O planeta — batizado por enquanto de HD 131399Ab — foi descoberto através do Very Large Telescope localizado no Chile e se encontra em um sistema solar triplo, o que significa que ele orbita ao redor de três estrelas.

A identificação de mundos como esse, que fazem parte de sistemas compostos por múltiplas estrelas, é algo incrivelmente difícil, diga-se de passagem, pois o excesso de luminosidade atrapalha a visualização dos planetas.

Os astrônomos responsáveis pela descoberta empregaram uma combinação de técnicas e conseguiram observar o planeta por meio da espectrometria de infravermelho próximo. Eles acreditam que se trata de um gigante gasoso com massa cerca de quatro vezes superior à de Júpiter— o maior planeta do nosso sistema solar. Além disso, os cientistas pensam que a atmosfera do HD 131399Ab contém água e metano.

Esse curioso planeta orbita ao redor de uma das três estrelas do sistema e se encontra a uma distância equivalente ao dobro da que Plutão se encontra do Sol — e é por isso que o HD 131399Ab demora 550 anos (terrestres) para completar uma órbita. Segundo os astrônomos, durante a maior parte do tempo, o mundo conta com uma rotina de dias e noites, com o trio de estrelas nascendo e se pondo praticamente juntas.

Contudo, conforme o planeta viaja ao longo de seu sistema solar, existe um período em que ocorre uma sucessão de pôr e nascer dos sóis, fazendo com que o HD 131399Ab seja constantemente atingido pela luz solar. Os astrônomos estimaram que esse intervalo tem uma duração de 140 anos.

Gigante surpreendente.

Mas as surpresas relacionadas ao HD 131399Ab não param por aí. Segundo os astrônomos, eles nunca pensaram que um planeta pudesse existir em uma órbita tão ampla em um sistema triplo, já que, nessas condições, o mundo provavelmente seria altamente instável, sem falar que a gravidade das estrelas interferiria em sua órbita, puxando e empurrando o planeta ao longo de sua trajetória — e talvez até o ejetando completamente do sistema.

Localização do sistema solar na constelação de Centauro.

E falando nas estrelas, duas se encontram a uma distância de quase 1,5 bilhão de quilômetros uma da outra, enquanto a terceira está mais distante, a quase 44 bilhões de quilômetros da dupla. Os astrônomos observaram que as três orbitam uma ao redor da outra em uma espécie de dança e que o HD 131399Ab viaja em torno do sol mais distante.

E quando o gigante gasoso se aproxima dos outros sóis do sistema, ainda assim o planeta fica a aproximadamente 30 bilhões de quilômetros de distância. Também durante as observações, os astrônomos determinaram que o HD 131399Ab tem 16 milhões de anos — ou seja, ele ainda é jovenzinho, considerando a idade do Universo, de 14 bilhões de anos. Os astrônomos também determinaram que o HD 131399Ab possui uma temperatura de 580 °C.

Segundo os cientistas, apesar de todas essas características interessantes, o que torna o planeta único é a sua órbita, já que os astrônomos ainda não conseguiram entender como o HD 131399Ab foi parar onde ele está. Uma das possibilidades é que ele tenha se formado nesse mesmo sistema ou, ainda, que ele tenha se formado em outro local e migrado para se unir à dança do trio de sóis.

Contudo, é possível que planeta não fique dançando para sempre com as estrelas, já que, como ele se aproxima bastante de duas delas periodicamente, pode acontecer de elas darem um “chega pra lá” nesse mundo e o mandarem para outro canto do cosmos.

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