Há um limite entre a ciência e a pseudociência?

Imagine que o João vive em uma grande metrópole e está planejando viajar durante quinze dias, pois, finalmente, conseguirá férias de seu trabalho extenuante. Enquanto pensa nas possibilidades de viagem, juntamente com sua esposa Maria, muitos lugares lhes vêm à mente: praias, cachoeiras, casas de campo, etc.

Ambos concordam que qualquer um destes lugares lhes proverá o conforto e o descanso necessários para retornar com os ânimos renovados à velha e fatigante rotina da cidade. Depois de muito refletir, os dois acabam por decidir ir à praia. Como João é um sujeito cauteloso, que gosta de planejar cuidadosamente tudo o que faz, decide consultar a previsão do tempo para saber se haverá sol no período em que eles permanecerão no litoral. Ao fazer a consulta alegra-se em saber que a previsão para os próximos dias é totalmente favorável às suas pretensões.

Todavia, ao começar os preparativos para a viagem surge um pequeno empecilho: enquanto João consultava o site de meteorologia, uma amiga cartomante de Maria ligara dizendo que havia visto em suas cartas que um mau tempo estava se aproximando da vida do casal. Após receber esta informação eles começam a pensar na possibilidade de cancelar o passeio.

Seria injustificada a atitude de abandonar a viagem por conta da previsão da cartomante? Talvez sim, se fosse o único motivo. Mas há outro indício de que eles não devem viajar. Depois de falar com sua amiga ao telefone, Maria lembra-se de que, na semana anterior, havia feito uma visita ao consultório de um astrólogo, o qual dissera que a posição dos astros não lhe estava favorável este ano, recomendando-lhe que tomasse cuidado com suas tomadas de decisões. Dados estes indícios eles decidem por cancelar a viagem. Terá sido apropriada tal atitude?

Embora se trate de uma questão epistemológica importante não discutiremos neste trabalho se esta ação foi ou não racional. Nossa preocupação primária aqui é discutir o problema de saber se existe um limite entre a ciência e a pseudociência, e não discutir a racionalidade ou irracionalidade de certas ações. Deste modo, somos levados a formular questões um pouco mais profundas.

Existe alguma diferença substancial entre a previsão do tempo que o João consultou e as previsões feitas pela cartomante e pelo astrólogo? Há algum critério que distinga a meteorologia da prática dos cartomantes? Podemos ir ainda mais longe perguntando: haverá alguma diferença entre a astronomia e a astrologia, entre a química e a alquimia, entre a matemática e a numerologia ou todas estas atividades diferem apenas em grau, mas não em gênero? Perguntar isto é perguntar se é possível estabelecer limites disciplinares entre os diversos tipos de práticas cujos proponentes pretendem fazer asserções verdadeiras sobre o mundo. Por essa razão, todas estas perguntas remetem ao problema da demarcação, cuja solução consiste em apresentar um critério que nos permita distinguir a ciência da pseudociência.

Uma boa razão para crermos nesta possibilidade de distinção é que, pelo menos no que concerne ao público culto, o termo “ciência” é empregado para referir-se a um gênero de atividade que é intuitivamente diferente do que fazem os astrólogos, numerólogos ou cartomantes. Entretanto, filósofos como Karl Popper e Rudolf Carnap não se detiveram apenas em suas intuições e procuraram explicar cuidadosamente porque é correto pensar que há tal diferença. De modo geral, tanto estes como outros filósofos da ciência, como Ayer e Kuhn, sugeriram critérios de demarcação embasados principalmente na ideia de que a ciência – ao contrário da não-ciência – possui caráter empírico, refere-se a coisas observáveis, acumula resultados de modo progressivo e utiliza um método específico.

Todas estas suposições admitem razões favoráveis e desfavoráveis, porém não lhes daremos um tratamento exaustivo neste trabalho. Apenas nos referiremos a elas na medida em que se relacionam com as teorias de Popper e Carnap. Procuramos ressaltar que, embora tratem do mesmo problema, os dois filósofos divergem tanto no modo de sua formulação quanto na sua tentativa de solução.

O critério de Popper

Para compreendermos as tentativas de solução do problema da demarcação precisamos primeiramente compreender os tipos diferentes de formulação que ele recebeu. O filósofo Karl Popper formulou-o como um problema de caráter metodológico. Sua solução consiste em indicar as características lógicas de um determinado sistema de enunciados para que se possa aferir se ele é científico, ou seja, se ele é suscetível de conformar-se segundo um método que, por sua aplicação, estabelece cientificidade.

O método proposto por Popper chama-se hipotético dedutivo. Para aplicar-se este método procede-se da seguinte maneira: dada uma teoria ainda não justificada (uma conjectura), aspira-se a que ela possa ter suas conclusões deduzidas e confrontadas com a experiência empírica. Se o teste for mal sucedido, então não há razões para rejeitar a teoria. Se for bem sucedido, então a teoria deve ser revisada, pois já temos uma razão para considerá-la falsa, uma vez que todo teste realizado é uma tentativa de refutar a teoria. Por essa razão, o critério de demarcação popperiano é chamado de falsificacionismo, pois, segundo ele, um sistema de teorias é genuinamente cientifico se, e somente se, for empiricamente falsificável através da experiência.

Será preciso falsear efetivamente um sistema de enunciados para que se possa considerá-lo científico? A resposta de Popper é que não. Por essa razão, é importante ressaltar a diferença entre um enunciado falsificável e um enunciado falso, pois o critério de Popper exige o primeiro aspecto e não o segundo. Será razoável esta ideia?
Vejamos mais detalhadamente em que consiste a falseabilidade de um sistema de enunciados.

Um sistema falsificável é de forma tal que é possível dele deduzir conseqüências empiricamente testáveis que entram em conflito com enunciados básicos aceitos por convenção – e não obtidos diretamente através da experiência, tal como defendiam os positivistas. Portanto, para que um determinado sistema empírico possa ser classificado como científico é preciso poder conceber que tipos de estados de coisas teriam de ocorrer no mundo para que pelo menos um de seus enunciados fosse falsificado e, conseqüentemente, ele próprio. Os sistemas de enunciados pseudocientíficos não apresentam esta característica. Sua configuração é tal que não é possível conceber estados de coisas possíveis que os tornem empiricamente falsos. Pelo contrário, qualquer acontecimento ou observação é interpretado como evidência confirmadora.

Destarte podemos perceber o contraste que há entre um enunciado científico e um enunciado pseudocientífico. Um enunciado do primeiro tipo tal como “haverá sol no litoral nos próximos quinze dias” é formulado com precisão e clareza quanto às experiências que o tornariam falso. Basta que não haja sol no litoral em pelo menos um dia para que ele seja falsificado. Por outro lado, um enunciado pseudocientífico, tal como o que foi feito pela cartomante no exemplo mencionado na introdução, não pode ser considerado científico por duas razões que estão interligadas: 1) é vago, uma vez que a expressão “mau tempo” pode significar não somente chuva ou tempestade, mas também uma possível discussão entre o casal, uma doença na família ou entre os amigos, perda de emprego, etc. e 2) precisamente por causa de sua vagueza não é possível determinar as situações que deveriam ocorrer para torná-lo falso. O ponto central a ser ressaltado é que o seu âmbito de significação é tão vasto que dificilmente não ocorreria algo no mundo para confirmá-lo. Assim, de acordo com o critério de Popper, o enunciado da cartomante não é falsificável e, portanto, é pseudocientífico.

Tal espécie de enunciado não é aceitável no campo da ciência porque faz parte de um sistema que seria extremamente improfícuo para ela, uma vez que não leva em conta um aspecto básico da natureza humana: a falibilidade. A ideia de Popper é que a ciência progride através de conjeturas e refutações. Segundo ele, se alguém não está disposto a admitir que possa estar errado mesmo em suas crenças mais fundamentais e, desse modo, não considera que também suas teorias estejam sujeitas à refutação, este alguém certamente pressupõe ser infalível. Pelo fato de não sermos oniscientes, nosso conhecimento é todo conjetural. Devemos sempre testar as teorias que achamos que são verdadeiras para que possamos sempre substituí-las por outras, caso elas se mostrem falsas depois de nossos testes.

Os enunciados encontrados nas previsões da meteorologia podem ser considerados científicos, pois satisfazem os critérios estabelecidos por Popper. Se, tal como fez João, consultarmos as previsões dos meteorólogos e nos depararmos com o enunciado “Haverá Sol no litoral nos próximos quinze dias”, poderemos facilmente determinar de antemão as circunstâncias que tornariam falsa esta previsão. Assim sendo, segundo o critério de demarcação popperiano, a cientificidade do sistema de enunciados do qual decorreu este enunciado está garantida. Por outro lado, se tentarmos proceder da mesma forma com o enunciado que diz que “um mau tempo se aproximará da vida do casal” seremos mal sucedidos uma vez que, desde o início, não temos clareza a respeito do que quer isto dizer.

Com base no que foi mencionado pode-se perceber que, para Popper, a comunidade científica estabelece previamente que tipos de descobertas precisam ocorrer para que ela mude de ideia e desista de suas teorias se tais descobertas se efetivarem.

Não obstante, os proponentes da astrologia, da numerologia, etc., não estão dispostos a fazer tal coisa uma vez que parece não ser possível conceber nenhum acontecimento que os faça modificar suas convicções. Com isto fica claro o caráter de irrefutabilidade das comunidades pseudocientíficas, o que nos leva a recusá-las como praticantes de atividade sujeita aos parâmetros da racionalidade científica, tal como esta foi estipulada até aqui.

O critério de Carnap

A maneira como o filósofo Rudolf Carnap abordou o problema da demarcação entre a ciência e a não-ciência pode ser chamada de linguística. Tal abordagem foi influenciada pelo Tractatus Logico-Philosophicus (1922) de Wittgenstein, o qual tinha como uma das teses principais a ideia de que a impossibilidade da metafísica não dizia respeito a uma limitação do que se pode conhecer, mas a respeito do que se pode ou não dizer. Desse modo, a motivação inicial de Carnap não era procurar um critério para distinguir a ciência da pseudociência. Seu intuito era eliminar a metafísica do campo do sentido cognitivo através da análise lógica da linguagem.

Por essa razão podemos dizer que, no caso de Carnap, o problema da demarcação é o problema de estabelecer o limite do que pode ser dito como possuindo sentido cognitivo. Para tanto, ele apresenta um critério de significado chamado verificacionismo o qual pretende possibilitar uma forma de distinguir com clareza os enunciados com sentido cognitivo (os da ciência empírica, da lógica e da matemática) dos enunciados sem sentido cognitivo (os metafísicos, poéticos, etc).

O verificacionismo pode ser condensado na tese segundo a qual um enunciado possui sentido cognitivo se, e somente se, pode ser verificado empiricamente tendo como base a lógica indutiva. Com exceção dos enunciados da lógica e da matemática, Carnap considerava todas as disciplinas que expressam enunciados de natureza não verificável como inúteis no que concerne à aquisição de conhecimento sobre o mundo. Não obstante, ainda que não possuam sentido cognitivo, as afirmações provenientes de áreas como a literatura ou a metafísica, a ética ou estética tradicionais, podem possuir, segundo ele, sentido poético, emocional ou expressar a atitude de alguém diante da vida.

Um aspecto interessante da teoria de Carnap é a distinção entre a determinação da significatividade de um enunciado e o conhecimento do seu valor de verdade. Um enunciado é dito significativo se ele expressa um estado de coisas concebível (e não necessariamente efetivo). Não precisamos verificar de imediato o enunciado para saber se este tem ou não sentido, temos tão somente de ter condições de conceber as situações que teriam de ocorrer para que ele fosse verificado. Portanto, é possível determinar a significatividade de um enunciado antes mesmo de determinar o seu valor de verdade, o que só é possível fazer recorrendo à experiência.

Os enunciados que não pertencem ao campo da ciência não são passíveis de valor de verdade, uma vez que não podemos conceber as circunstâncias nas quais eles seriam verificados. Por exemplo: quando uma cartomante afirma que “um mau tempo se aproxima” ou quando um metafísico afirma que “a onisciência é uma propriedade essencial de Deus” eles não estão dizendo nada que possua sentido cognitivo, uma vez que não é o gênero de afirmação que podemos aspirar a verificar através da experiência empírica. Contudo, tais afirmações podem afetar emocionalmente as pessoas chegando a produzir certos estados psicológicos que as levam a formar a crença de que elas são verdadeiras. No entanto, isto tem a ver somente com a espécie de motivação que leva algumas pessoas a dar adesão a determinadas afirmações, e não com a questão de elas possuírem ou não sentido para podermos determinar se são passíveis de valor de verdade.

Em A construção lógica do mundo (1928) Carnap argumenta que, para um enunciado ser significativo ele deve satisfazer, sobretudo, a duas condições: 1) as palavras que o constituem devem possuir significado isoladamente, o que implica que ou elas dizem respeito à experiência ou a outros conceitos que concernem diretamente à experiência e 2) elas precisam estar dispostas de modo a obedecerem às regras da sintaxe lógica.

Isto conduz à tese de que as proposições científicas são obtidas através de proposições mais elementares que dizem respeito diretamente à experiência e, consequentemente, são verificáveis através dela. Ele considera que se os conceitos utilizados na ciência forem genuinamente obtidos através da experiência, então eles podem ser definidos com base nela. A este tipo de definição de um conceito Carnap chama constituição e o conjunto de conceitos provenientes desse processo de sistema de constituição. Os enunciados metafísicos não podem ser constituídos pelo fato de não ser possível definir os conceitos que neles ocorrem deste modo. Assim, há um impedimento no que concerne ao estabelecimento de sua cientificidade uma vez que eles não podem ser constituídos.

As críticas de Popper

Pelo que foi até agora exposto nota-se que os dois filósofos abordam o problema da demarcação de maneira diferente. Não obstante, temos razões para pensar que, mesmo com esta diferença, os problemas se relacionam de algum modo, na medida em que Popper argumenta contra Carnap alegando que seu critério de demarcação, embora seja linguístico, possui implicações metodológicas indesejáveis para a ciência. Foram tais conseqüências, inclusive, o que motivou suas críticas, tendo suscitado uma intensa discussão entre os dois filósofos. Não pretendemos apresentar tal debate em pormenor, mas apenas os três principais argumentos de Popper.

O primeiro argumento de Popper contra Carnap é uma reductio ad absurdum. Popper convida-nos a aceitar por um instante o critério verificacionista de significado de Carnap. Em seguida procura mostrar que, se o aceitássemos realmente, seríamos levados a uma conclusão absurda, pois estaríamos obrigados a excluir do campo da ciência as leis e teorias físicas já que estas são expressas através de enunciados universais e estes não podem ser verificados porque pressupõem um número infinito de observações. Como é óbvio, só podemos fazer um número finito de observações. O critério verificacionista de Carnap implica que tais leis e teorias não são científicas. Esta é justamente a conseqüência metodológica negativa que Popper identifica na teoria de Carnap.

O segundo argumento pretende atacar a concepção de Carnap segundo a qual o valor cognitivo de um enunciado reside na possibilidade de verificar o seu conteúdo factual. A ideia de Popper é aplicar este raciocínio ao próprio critério de Carnap. Será possível verificar empiricamente a tese segundo a qual um enunciado só possui sentido cognitivo se puder ser verificado empiricamente? Intuitivamente parece que não, pois caberia a quem defende que tal verificação é possível explicar cuidadosamente como ela se daria. Uma vez que ainda não possuímos tal explicação conclui-se que o critério verificacionista é paradoxal e auto-refutante, uma vez que a sua verdade implicaria a sua falsidade

O terceiro argumento segue a mesma estrutura do anterior. Nele, Popper pretende mostrar, com base na própria motivação de Carnap, que a tese segundo a qual as afirmações metafísicas não possuem sentido é falsa. A motivação de Carnap é a concepção de que somente as afirmações formuladas em uma linguagem adequada às demandas da ciência tem sentido. Uma linguagem deste tipo seria construída a partir de conceitos que se referem diretamente à experiência imediata dos nossos cinco sentidos. Assim sendo, os enunciados metafísicos estariam excluídos do campo do sentido uma vez que não podem ser formulados em tal linguagem. Mas e quanto às afirmações que pretendem mostrar a irrelevância cognitiva da metafísica? Será que elas podem ser formuladas nesta linguagem? As afirmações feitas com o intuito de criticar a metafísica também não podem ser formuladas em uma linguagem cientifica adequada às pretensões de Carnap. Deste modo, podemos concluir que elas também não possuem sentido e que, portanto, não estamos racionalmente obrigados a aceitá-las.

Conclusão

Como Popper argumentou veementemente contra Carnap e outros positivistas lógicos que propuseram um critério de demarcação científica com base em um critério de significado que excluía do campo da ciência as leis e teorias, pensou-se que ele estava a oferecer outro critério de significado que não tivesse essa consequência metodológica negativa. Porém, tal interpretação de Popper como positivista é errônea uma vez que ele diverge fundamentalmente das teorias e princípios esposados pelos positivistas, como por exemplo: a concepção de filosofia, o papel da experiência na ciência, concepção de lógica, a negativa da irrefutabilidade etc.

Ao contrário de seus adversários positivistas, ele buscava um conceito para a ciência que não a reduzisse a suas dimensões experimentais e linguísticas, mas que fosse capaz de incorporar em seu interior os ideais de uma sociedade aberta, plural e permeada pela crítica. Entretanto, vimos que embora haja divergência entre suas formas de trabalhar o problema da demarcação, as tentativas positivistas de resposta suscitaram diversas questões problemáticas que ultrapassaram o âmbito de suas pretensões iniciais, tal como expusemos nos argumentos mencionados.

O debate entre Popper e Carnap é muito mais extenso do que apresentamos neste trabalho e figura entre os mais importantes no campo da filosofia da ciência do século passado. Não pretendemos ter abarcado a totalidade de nuances e pormenores envolvidos em suas teorias. Nosso intuito foi tão somente fazer uma introdução às suas respectivas filosofias da ciência, indicar a natureza do desacordo entre eles, e possibilitar uma melhor compreensão acerca do modo como estes dois grandes pensadores formularam e tentaram solucionar o problema de saber se é possível estabelecer um limite entre ciência e pseudociência (ou não-ciência).

Fonte: http://livrepensamento.com

Texto de: Rafael Alberto Silvério d’Aversa

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