Pareidolia: enxergando rostos em outros planetas.

“Olha, tem um pequeno rosto lá!”. Este sentimento ecoou pela internet recentemente, quando uma imagem de Nix, a pequena lua de Plutão, foi lançada pela equipe da New Horizons, a missão da Nasa que está explorando o (ex-)planeta (acima). Todos nós já passamos por isso. É só nos deitarmos na grama em um preguiçoso dia de verão que, em breve, começamos a ver rostos de todos os tipos nas nuvens que passeiam pelo céu azul. 

Essa predileção é tão profunda em nossos cérebros que muitas vezes o nosso software de reconhecimento facial vê rostos onde eles não existem. Certamente, ver rostos é uma estratégia de sobrevivência digna; não apenas pelo aspecto da cognição útil no reconhecimento dos rostos amistosos de nosso próprio povo, mas também é útil na leitura de expressões faciais, dando-nos pistas do que está acontecendo no jogo de pôquer social da vida.

Sim, há um termo para este tipo de ilusão visual: pareidolia. Astrônomos lidam com muitos casos de pareidolia. Conforme imagens da NASA de novos planetas são liberadas, um exército de bloggers apontam pés-grandes, plantas, e, sim, muitas figuras humanoides e rostos. Duas crateras e o corte de uma trincheira para formar uma boca já são suficientes.

Homem de Neve no asteroide Vesta.

Agora que as novas imagens de Plutão e sua comitiva de luas estão aparecendo, circuitos neurais estão falhando por toda a internet, vendo rostos, esqueletos alienígenas meio enterrados e artefatos espalhados por Plutão e Caronte.

Naturalmente, a maioria dessas alegações são simplesmente hilariantes e facilmente descartadas. Ninguém, por exemplo, acha que a nossa lua é uma construção artificial, embora seu rosto distorcido esteja contemplando o drama da humanidade por milhões de anos.

Mickey é você?

A psicologia de ver rostos onde eles não existem é tal que uma região inteira do lobo occipital do cérebro, conhecida como área facial fusiforme, é dedicada ao reconhecimento facial. Cada um de nós tem um conjunto exclusivo de neurônios que disparam em padrões para reconhecer o rosto da Camila Pitanga ou do Tom Cruise.

Danificar esta área na base do cérebro ou mexer com seus circuitos pode levar a uma condição conhecida como prosopagnosia, ou cegueira facial. O autor Oliver Sacks e o ator Brad Pitt são algumas das personalidades famosas que sofrem deste mal. Por outro lado, “super-reconhecedores”, na outra extremidade do espectro, têm um sentido apurado para a identificação facial que beira um super-poder.

Os rostos do sistema solar.

Um exemplo bem conhecido era a “Face de Marte”. Fotografada pela missão Viking 1 em 1976, a imagem meio na sombra parecia um rosto humano olhando para nós a partir da região de Cydonia, na superfície do planeta vermelho.

Mas será que é uma ideia totalmente inverosímil que uma entidade alienígena visitando o sistema solar colocasse alguma coisa por aí (pense no monolito na lua em “2001: Uma Odisséia no Espaço”) para nós encontrarmos? A ideia é simples: coloque um artefato para que ele se destaque na paisagem, mas também para que ele não seja notado até nos tornarmos uma sociedade que consiga viajar no espaço. Tal afirmação, no entanto, para parafrasear Carl Sagan, demandaria evidências sérias e rigorosas.

Em vez da NASA mover-se para encobrir o “rosto” em Marte, eles na verdade refizeram a imagem da região tanto com o Mars Reconnaissance Orbiter e o Mars Global Surveyor, em uma resolução muito maior. Embora o local de 1,5 km ainda seja intrigante do ponto de vista geológico, definitivamente não parece mais um rosto.

Claro, isso não vai impedir que os teóricos da conspiração aleguem que era tudo um grande encobrimento. Mas se fosse esse o caso, por que liberar essas imagens e torná-las disponíveis gratuitamente online?

É fácil imaginar que avistamentos de rostos e outras evidências de conspiração continuarão a surgir em toda a web, com gritos de “Acorda, Brasil!”, ou outro país (normalmente em capslock), assim como um grupo corajoso de voluntários escreverá para desmentir a pareidolia alheia, em uma batalha das trevas contra a luz que provavelmente nunca vai acabar – assim como todas as outras que acontecem na internet.

Fonte: http://hypescience.com/

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