Entenda o filme Interstellar, com spoliers.

O post de hoje é especial para você que assistiu ao filme Interstellar e quer resolver as suas dúvidas. Então valos lá: No começo do filme, quando Cooper (Matthew McConaughey) encontra o esconderijo secreto da NASA, os cientistas explicam para ele que se trata de um projeto (secretamente financiado pelo governo americano) para encontrar um novo planeta para os seres humanos, já que a Terra está sendo devastada por pragas e a agricultura está cada vez mais insustentável.

O plano era ir para outra galáxia em busca de outro planeta habitável, o que causou estranheza em Cooper, uma vez que chegar a outra galáxia levaria anos e os seres humanos não podiam esperar tanto. O professor Brand (Michael Caine), porém, revela que uma civilização desconhecida, a que se referem como “They” (em português, significa “eles”), havia criado um “wormhole” (traduzindo, significa “buraco de minhoca”) perto de Saturno, que funciona como um atalhado para outra galáxia, permitindo chegar nesta de maneira bem mais rápida. 

Os cientistas também revelam que, anos atrás, a NASA enviou treze astronautas para essa outra galáxia (através do “wormhole”) com a missão de encontrar um planeta habitável para os seres humanos.

Cada astronauta foi enviado a um planeta diferente e, ao chegar em seu planeta, deveria ser instalado um sinalizador. A NASA não comunicava diretamente com os astronautas, mas conseguiu rastrear os sinalizadores por quase uma década. Atualmente, porém, apenas três permaneciam ativos.

A missão agora era a de descobrir o que aconteceu com os três astronautas e coletar o máximo de material possível para analisar qual planeta possui melhores condições para a vida humana. O professor Brand explica para Cooper que a NASA tinha dois planos para a sobrevivência da raça humana:

Plano A) Enquanto a Equipe Endurance (a equipe de cientistas viaja para o espaço em uma espaçonave chamada Endurance) estivesse fora, tentando cumprir sua missão, o professor Brand iria continuar trabalhando em um equação complexa. Uma equação que, se resolvida, iria permitir que os seres humanos adquirissem um conhecimento avançado sobre a física dimensional e sobre a gravidade e, assim, a NASA seria capaz de lançar uma enorme estação espacial (“carregando” os seres humanos sobreviventes) no espaço. A própria instalação secreta encontrada por Cooper e Murph no começo do filme não é apenas uma estação de pesquisa da NASA. É um verdadeiro ponto estratégico para a construção da estação espacial.

Plano B) Caso o professor Brand não conseguisse resolver a equação e/ou a Equipe Endurance levasse muito tempo tentando completar a sua missão, a NASA já havia preparado um banco de embriões humanos fertilizados que seriam usados para garantir a sobrevivência da humanidade, caso o Plano A não desse certo. Sendo assim, as gerações futuras não seriam limitadas à reprodução entre os membros da Equipe Endurance. Nesse cenário, a equipe iria se instalar no planeta mais habitável possível e criaria a primeira geração de embriões. E, assim, cada geração posterior iria ajudar a criar um novo conjunto de embriões (além de se reproduzirem naturalmente).

Em um momento posterior do filme, descobrimos que o professor Brand nunca acreditou que o Plano A fosse possível. A verdade é que ele já tinha resolvido a equação há anos antes, mas o resultado não seria capaz de salvar os seres humanos que estavam na Terra. Ele apenas fingiu acreditar que o Plano A fosse possível para conseguir fazer com que líderes mundiais se reunissem e trabalhassem juntos com o objetivo de criar a infraestrutura necessária para que o Plano B desse certo. Brand sabia que as pessoas não iriam cooperar para salvar a humanidade se não incluísse salvar a si mesmas e a seus familiares.

Depois de descobrir que o Plano A era uma farsa e depois das visitas desastrosas a dois dos planetas, Cooper e Amelia Brand (Anne Hathaway) se comprometem em fazer o Plano B dar certo e planejam a ida ao terceiro (e último) planeta, onde o astronauta Wolf Edmonds (com quem Amelia já teve um relacionamento amoroso) ainda enviava sinais positivos. Para chegar ao planeta, eles se aproveitam de um buraco negro próximo (apelidado de Gargantua) para arremessar o Endurance em direção ao planeta de Edmonds, o que economiza tempo e combustível. Quando chegam perto de Gargantua, Cooper lança TARS (o robô ajudante da equipe) para o centro do buraco negro, na última esperança de que o robô fosse capaz de captar dados que poderiam ajudar a NASA a encontrar uma solução diferente (da encontrada por Brand) para a equação.

Depois de lançar o robô em direção a Gargantua, Cooper sacrifica a si mesmo para diminuir o peso no Endurance e, assim, fazer com que Amelia tivesse maiores chances de chegar ao planeta de Edmonds e iniciar o Plano B. Ao se desligar do Endurance, Cooper se lança no espaço, acreditando ser o seu fim, mas, nesse instante, é “puxado” para dento do The Tesseract – que é uma singularidade gravitacional do “wormhole” onde as leis do espaço e do tempo não têm limites – criado pela civilização desconhecia a que se referem como “They”.

1- Mas, afinal, quem são esses seres (chamados de “They”) que estavam ajudando tanto a humanidade?

Cooper e os outros cientistas da NASA acreditavam que se tratava de uma raça extraterrestre (ou supernatural) evoluída que havia descoberto como manipular dimensões e, por alguma razão, decidiu ajudar a humanidade a escapar da Terra. O professor Brand acreditava que esses seres mandavam mensagens em binário e criaram o “wormhole” para salvar a raça humana da extinção.

Porém, como é revelado no filme, esses seres eram, na verdade, duas entidades separadas (mas relacionadas):

– Seres humanos do futuro que haviam aprendido a manipular o tempo e o espaço;

– Cooper tentando se comunicar com a sua filha de dentro do Tesseract, que, por sua vez, foi construído para ele pelos seres humanos do futuro.

Sendo assim, boa parte dos fenômenos que a NASA acreditava ter sido obra dos seres desconhecidos era, na verdade, atos praticados por Cooper no futuro. Quando ele sacrifica a si próprio, se lançando no espaço, acaba sendo “puxado”, como já dito antes, para dentro do Tesseract.

Sabendo de seu próprio passado – especialmente sobre os acontecimentos que levaram a sua salvação (e fuga da Terra) – os seres humanos criaram o Tesseract em algum momento em um futuro distante, usando seus conhecimentos avançados sobre a física dimensional, manipulando o espaço-tempo para colocar o Tesseract no passado.

Uma vez que Cooper e Murph são lembrados como sendo os salvadores da humanidade, os seres humanos evoluídos – que conseguem observar passado, presente e futuro – criam o Tesseract para Cooper, de forma que ele pudesse se comunicar com a sua filha no passado e transmitir os dados que TARS (o robô) havia coletado de dentro do buraco negro.

2- Entenda a questão do espaço-tempo e da relatividade

A questão do espaço-tempo e da relatividade foi bem exemplificada no primeiro planeta visitado pela Equipe Endurance. No geral, o tempo no nosso lado do “wormhole” passa mais rápido que o tempo no outro lado. E, devido a anomalias gravitacionais provocadas por um buraco negro (Gargantua) próximo, o tempo passa ainda mais devagar (quanto mais perto do buraco negro, mais devagar o tempo passa). Por estar próximo a Gargantua, o tempo no planeta da astronauta Miller passa bem devagar: para cada hora passada no planeta, sete anos se passam na Terra. Sabendo disso, Cooper planeja que a visita ao planeta seja o mais rápido possível, mas, por uma série de acontecimentos, a visita demora mais que o previsto, o que custa décadas de anos na Terra.

Mas por que a Equipe Endurance visitou o planeta de Miller para começo de conversa? É que, por anos, a NASA recebeu sinais positivos vindos de Miller. Porém, como descobrimos depois, o que se acreditava ser anos de sinais positivos, na verdade foram apenas minutos para Miller (que foi morta por uma onda momentos depois de aterrissar). Tudo isso devido ao efeito provocado pela proximidade do buraco negro, que fez com que o tempo no planeta da astronauta passasse bem mais devagar que o tempo na Terra.

Depois de conseguir sair do planeta de Miller e voltar para o Endurance, a equipe reencontra Romilly, que havia ficado na nave para colher dados e fazer pesquisas. Como a espaçonave estava mais distante de Gargantua, o tempo que a equipe permaneceu no planeta de Miller correspondeu a vinte e três anos para Romilly (que esperou sozinho na espaçonave). Na Terra, o tempo também passou mais rápido e, ao receber vídeo-mensagens dos familiares, isso é claramente perceptível: os filhos de Cooper, Tom e Murph, agora são adultos.

Na medida em que a equipe se distancia do buraco negro, a desproporção do espaço-tempo diminui e, ao chegar ao planeta do astronauta Mann, a urgência é bem menor (apesar de terem que enfrentar outro problema: o astronauta, perturbado pela solidão, ficou enviando falsos sinais positivos sobre o planeta para que fossem resgatá-lo).

Outro efeito expressivo da gravidade no espaço-tempo é o que acontece no Tesseract. Dentro desta, a gravidade trespassa para outras dimensões no espaço e no tempo, permitindo que Cooper, empurrando livros da estante de Murph, mandasse uma mensagem (“STAY”, que significa “fique”). Também permite que Cooper comunique, espalhando poeira pelo chão (em binário), as coordenadas da estação espacial da NASA para a versão passada de si mesmo. E, mais importante, permite que Cooper manipule os ponteiros do relógio de Murph, passando, assim, os dados (que TARS havia adquirido dentro do buraco negro) em código morse. Depois, traduzindo os dados codificados, Murph consegue a informação necessária para fazer com que o Plano A desse certo.

3 – Como o tempo passa para Cooper dentro do Tesseract e como ele pretende reencontrar Amelia?

Para encontrar a resposta, é só usar a mesma teoria presente ao longo do filme. Tendo em vista que o tempo passa mais devagar perto do buraco negro (devido à distorção gravitacional por ele provocada), Cooper leva apenas segundos para sair do Tesseract (na perspectiva dele), mas leva décadas para a humanidade. Para entender melhor, é só pensar no seguinte: se a relação do tempo no planeta de Miller era de uma hora para cada sete anos na Terra, a proporção seria drasticamente distorcida dentro do Tesseract. Sendo assim, enquanto que, para os seres humanos, levaram-se décadas para que TARS e Cooper fossem encontrados flutuando no espaço, para eles, estavam de fora por meros segundos até serem resgatados.

E uma coisa importante que deve ficar claro é que, quando Cooper sai do Tesseract, ele é enviado de volta para o outro lado do “wormhole”. Nós sabemos disso porque, na passagem, ele se encontra com a versão passada dele mesmo (quando o Endurance estava passando pelo “wormhole”) e dá um aperto de mão em Amelia.

Sendo assim, a desproporção no espaço-tempo e o fato de voltar ao sistema solar permite que Cooper se encontre com Murph. Esta, vivendo no lado do “wormhole” onde o tempo passa mais rápido, está agora com mais de cem anos de idade.

Sabendo que Cooper não tem motivo para permanecer na estação espacial (uma vez que o seu filho Tom está presumidamente morto e Murph em breve se juntará a ele), Murph lembra seu pai que, do outro lado do “wormhole”, Amelia está apenas preparando para iniciar o Plano B no planeta de Edmonds. Na cena de Amelia no planeta, entende-se que, apesar do planeta ser habitável, o astronauta Edmonds não sobreviveu (por algum motivo desconhecido). Sendo assim, Amelia estava sozinha no local da colonização.

Cooper, então, entra em uma nave sabendo que, mesmo tendo passado décadas para os seres humanos na Terra (ou melhor, na estação espacial), o tempo do outro lado do “wormhole” está passando muito mais devagar. Sendo assim, é totalmente possível encontrar Amelia no planeta de Edmonds pouco tempo depois de Cooper ter sacrificado a si próprio e se lançado no espaço. Nós não sabemos se Cooper irá de fato encontrá-la, mas há fortes razões para ser otimista de que os dois vão se encontrar e, juntos, irão preparar a colonização do novo lar da humanidade.

Fonte: http://milcoisasquevocedeveriasaber.blogspot.com.br/

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