Misteriosas ondas de rádio intrigam astrofísicos.

Astrofísicos detectaram recentemente explosões de ondas de rádio que duram apenas frações de segundos, uma nova evidência importante dos pulsos misteriosos que parecem vir do fundo do espaço exterior. No passado, cientistas viram um punhado desses eventos a partir do Observatório de Parkes, na Austrália. No entanto, nenhum outro observatório chegou a conclusões semelhantes sobre esse fenômeno, o que levou a especulações de que o instrumento australiano tinha captado sinais provenientes de fontes da Terra, ou próximas dela.

A descoberta das chamadas “explosões de rádio rápidas” por uma equipe internacional de astrônomos usando o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, marcou a primeira vez que esse evento foi detectado utilizando um instrumento que não o radiotelescópio Parkes. “Nosso resultado é importante porque elimina qualquer dúvida de que essas rajadas de rádio são verdadeiramente de origem cósmica”, disse Victoria Kaspi, professora de astrofísica da Universidade McGill, no Canadá. “As ondas de rádio mostram todos os sinais de terem vindo de longe da nossa galáxia”. Uma questão foi resolvida: essas explosões de rádio existem, e realmente vem de longe. Porém, muitos outros mistérios ainda nos assombram. O pulso incomum foi detectado em 2 de novembro de 2012 no Observatório de Arecibo, que possui o maior e mais sensível radiotelescópio do mundo, com uma antena que mede 305 metros e cobre cerca de 20 hectares.

Ainda que as explosões de rádio rápidas durem apenas alguns milésimos de segundo e raramente sejam detectadas, a equipe internacional de cientistas confirmou as estimativas anteriores de que elas ocorrem cerca de 10 mil vezes por dia ao longo de todo o céu.

Este número surpreendentemente grande foi inferido pelo cálculo do tamanho do céu observado e por quanto tempo, a fim de chegarmos até as poucas detecções que já foram feitas.

Exatamente o que pode causar essas rajadas de rádio é um novo enigma para os cientistas. As possibilidades incluem uma gama de objetos astrofísicos exóticos, como buracos negros, fusões de estrelas de nêutrons ou erupções de magnetares, um tipo de estrela de nêutrons com campos magnéticos extremamente poderosos.

Os pesquisadores chegaram a conclusão de que as explosões vêm de além da Via Láctea com base na medição de um efeito conhecido como dispersão de plasma. Pulsos que viajam através do cosmos podem ser distinguidos de interferências provocadas pelo homem pelo efeito dos elétrons interestelares, que fazem com que ondas de rádio viajem mais lentamente em frequências de rádio mais baixas.

A explosão detectada pelo telescópio de Arecibo tem três vezes a medida máxima de dispersão que seria de se esperar de uma fonte de dentro da galáxia.

O próximo passo da pesquisa é detectar explosões de rádio rápidas usando telescópios de rádio que podem observar grandes áreas do céu. Telescópios em construção na Austrália e na África do Sul, bem como o telescópio CHIME já em uso no Canadá, têm o potencial de detectar essas rajadas e levar a uma melhor compreensão deste fenômeno cósmico misterioso.

Fonte: http://hypescience.com

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