As imagens do espaço e suas cores.

A esmagadora maioria das pessoas costuma ficar extasiada com as imagens fantásticas de berçários de estrelas, supernovas e galáxias, entre outras maravilhas do Cosmos, que os telescópios espaciais têm trazido para o interior de nossas casas desde os anos 1990. Mas sempre tem um chato pra apontar o dedo e resmungar: “Que absurdo! Isso tudo é mentira! É Photoshop! Essas aí não são as cores reais! É só pra ficar bonitinho! Os astrônomos mentem!

Sim, muitas vezes é “Photoshop”, no sentido de que aquela imagem foi tratada antes de poder ser visualizada daquele jeito — mas dizer isso ao ver imagens maravilhosas, como a produzida pelo Observatório de Raios X Chandra e reproduzida acima, é ficar bravinho com o irrelevante e deixar de se concentrar no que é realmente importante. E a razão tem tudo a ver com a nossa história evolutiva, e a história do nosso próprio planeta. Espero não partir o coração de ninguém ao dizer o que vou dizer a seguir, mas não há nada de essencialmente “vermelho” na cor vermelha, ou nada de intrinsecamente “amarelo” no nosso Sol. O que chamamos de cores são propriedades sensoriais subjetivas — os filósofos costumam usar o termo latino “qualia” para designar esse tipo de coisa — para diferentes comprimentos de onda/frequências de um fenômeno único, que é a radiação eletromagnética, ou “luz”, para os íntimos. (Sim, a luz é uma onda, como as do mar, embora não precise da água ou de qualquer outro meio para se propagar.

O comprimento de onda é a distância entre as cristas de uma onda; a frequência é o número de cristas que aparecem em dado período de tempo.)

Desse ponto de vista, há pouquíssima diferença entre os comprimentos de onda que nós conseguimos enxergar, o chamado espectro visível, e as coisas que a gente é simplesmente incapaz de conceber, como o infravermelho, o ultravioleta, os raios X e os raios gama. É TUDO LUZ — ainda que ninguém no mundo seja capaz de te dizer “que cor” tem o ultravioleta. (Bem, se uma abelha falasse, talvez ela conseguisse, mas o certo é que o “ultra” não quer dizer simplesmente um violeta mais forte, gente.)

Temos a sorte de viver num planetinha coberto por uma espessa atmosfera e equipado com camada de ozônio — capaz, portanto, de barrar os pedaços mais energéticos do espectro luminoso, como os raios X e gama. Além de evitar que todos morramos de câncer em dois tempos, esse acaso feliz também tornou completamente desnecessário que os seres vivos desta nossa Terra desenvolvessem a capacidade de captar esse tipo de radiação eletromagnética com seus olhos, já que cá embaixo não há nada para enxergar refletindo essas frequências luminosas mesmo.

As cores que enxergamos são pura e simplesmente a pequena fatia de luz — a dita luz visível — relevante para a nossa sobrevivência como primatas com apetite para frutas e outros quitutes coloridos. Alguns animais evoluíram para enxergar bem menos do que nós, enquanto outros enxergam uma gama ainda mais ampla de “cores” subjetivas. Não há nada de intrinsecamente “perfeito” nos nossos olhos.

Pra fechar o círculo da argumentação: esbravejar com as alterações de cores nas imagens espaciais é esquecer tudo o que aprendemos sobre a verdadeira natureza da luz. As cores “falsas”, nessas imagens, não são puras ferramentas estéticas, mas sim um artifício para ajudar-nos, pobres primatas nativos do chão, a enxergar uma informação luminosa real que, sem tratamento computacional e matemático, ficaria oculta para sempre. São nossos óculos de raios X, se você quiser — quase tão bons quanto a visão de certos super-heróis.

Fonte: http://darwinedeus.blogfolha.uol.com.br/

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