A Terra é realmente um planeta?

Isaac Asimov foi um escritor e bioquímico filho de imigrantes russos. Sua família passou a viver em Nova York quando Asimov tinha apenas três anos de idade. Autor de obras de ficção científica e de divulgação científica, uma vez, descreveu que o nosso sistema solar era um conjunto de “quatro planetas, além de detritos”.  Quatro planetas? Na escola sempre aprendemos que o sistema solar é composto por oito planetas (depois que Plutão foi rebaixado para planeta anão), seus satélites naturais, milhares de cometas e asteroides que por meio da gravidade ligam-se ao Sol.  Então, o que ele quis dizer com isso?

terra

Os quatro planetas dos quais Asimov se referia eram os gigantes gasosos que dominam o nosso sistema solar. Júpiter sozinho tem 2,5 vezes a massa de todos os outros planetas juntos, tendo 318 vezes mais massa do que a Terra. A gravidade de Júpiter tem atuado como se fosse um gigante aspirador de pó que varreu grande parte do sistema solar limpando poeiras e asteroides ‘rebeldes’. A gravidade desse planeta gigante ainda afeta as órbitas dos outros planetas, inclusive da Terra. A interferência também se estende até o cinturão de asteroides. Os anéis de Saturno existem graças à gravidade de Júpiter e do próprio Saturno.

Os gigantes gasosos são invariavelmente compostos por gases e líquidos, tendo apenas um pequeno núcleo metálico. Esse tipo de planeta pode até gerar mais energia do que recebe de sua estrela. Já a Terra é feita principalmente de material rochoso, metal e não irradia calor algum, a menos que receba a partir do Sol. Como pode, dessa forma, dois objetos tão diferentes serem considerados planetas? Se pararmos para refletir, a Terra, Ceres e Plutão estão muitos mais próximos em tamanho, forma e composição do que a Terra e Júpiter.

Voltando a afirmação de Asimov, ele parece certo ao dizer que tudo o que não é um gigante gasoso, é na verdade um detrito, como a poeira, meteoritos, asteroides, e entra nesta lista também os planetas rochosos que orbitam o Sol.

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A recente definição de planeta debatida pela International Astronomical Union (IAU) é na verdade muito subjetiva. O que parece é que sendo a Terra, o local onde vivemos, ela deve sempre ser considerada um planeta e qualquer dúvida contrária a isso deve estar fora de questão. Mas, e se o assunto fosse debatido de forma mais objetiva?

Por exemplo, não há dúvida alguma quanto à definição do que seria um gigante gasoso, correto? Da mesma forma que ele se originou gasoso, assim, ele permaneceu. Não há nenhum indício de que houve algum planeta de origem gasosa que tenha se tornado, ao longo do tempo, um planeta rochoso.

Por outro lado, existem inúmeras dúvidas em relação aos corpos rochosos. Por exemplo: Plutão é um planeta? E Ceres?  Não tem muita lógica considerar Plutão um “planeta anão” só porque ele possui um 1/6 o tamanho da Terra, sendo que o nosso planeta, se compararmos com o tamanho de Júpiter, é onze vezes menor. Seria assim coerente considerar a Terra um planeta?

Se os requisitos para a definição de planeta fossem claros como:

1 – estar em órbita de uma estrela;

2 – não ser auto-luminoso;

3 – ter massa suficiente para assumir equilíbrio hidrostático (forma esférica ou quase esférica)

4 – dominar outros corpos que orbitam a estrela.

Este quarto e último requisito deixaria a Terra, Mercúrio, Vênus e Marte em um apuro tão grande, que segundo esses critérios, não poderiam ser considerados planetas ao lado de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, por exemplo. Se a definição de planeta fosse de fato objetiva, assim como Asimov afirmou, na escola aprenderíamos que o sistema solar é realmente composto por quatro gigantes gasosos e seus “restos”.

Os detritos, do qual fala Asimov, e que inclui a Terra e seus companheiros Mercúrio, Vênus, Marte, Plutão e Ceres seriam definidos como material rochoso e metálico que varia em tamanho de partes disformes, e que embora possuam composições semelhantes, a sua organização interna pode ser diferente em tamanho e forma.

Esses corpos podem ser divididos em diferentes classes baseados em distintos critérios. Por exemplo, Plutão seria um corpo rochoso coberto em grande parte por gelo e sendo denominado, assim, algo como “mundo rochoso e com gelo”. Já a Terra e seus primos Mercúrio, Vênus e Marte seriam classificados como “mundos” ou “planetas anões metálicos e rochosos”.

A Astronomia já precisou corrigir e definir várias teorias e classificações de corpos, galáxias e estrelas. O próprio Plutão, que antes era considerado um planeta, foi rebaixado a planeta anão.

Qual seria, então, o problema em classificar a Terra ao que ela realmente é? Já concordamos há muitos anos que o nosso planeta não é o centro de toda a criação e que não foi a partir dele que surgiram todos os elementos do sistema solar. Talvez seja possível que os terráqueos se acostumem com a ideia de que vivem em um planeta-anão que orbita uma estrela também anã em companhia de quatro verdadeiros planetas gigantes. Feriria o orgulho de alguém ao pensar dessa forma? O caso é que uma reflexão mais objetiva deveria ser feita.

Fonte: http://www.jornalciencia.com

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