Cientistas discutem a estranha mancha densa do Universo.

Um estranho ponto denso no Universo repleto de uma quantidade surpreendente de matéria tem intrigado os cientistas desde que foi revelado em março em um mapa celeste feito pelo satélite europeu Planck. Essa característica e outros mistérios nas observações podem apontar o caminho para novas teorias da física, afirmaram os cientistas que recentemente se reuniram para discutir as implicações das descobertas.

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Três membros da equipe Planck responderam a perguntas do público sobre os dados obtidos pelo satélite durante um chamado “Hangout” (uma conversa ao vivo) do Google nesta quarta-feira, 31 de julho, patrocinado pela Fundação Kavli. O satélite Planck mede a radiação muito antiga que permeia o universo, chamada de radiação cósmica de fundo (CMB, na sigla em inglês), que data de algumas centenas de milhares de anos. Essa radiação contém um registro de como o Universo era logo após seu nascimento no Big Bang e assim oferece um teste para as teorias sobre as origens do cosmos.

Em última instância acredita-se que a difusão da matéria pelo espaço decorra de ligeiras variações na densidade de energia do universo jovem que são evidentes como variações de temperatura nas microondas da radiação cósmica de fundo. Em geral essas variações de densidade estão uniformemente espalhadas pelo céu, mas há um ponto anômalo especialmente denso que aparece nos dados como uma área particularmente fria.

“Isso é muito estranho”, disse George Efstathiou, professor de astrofísica na University of Cambridge, no Reino Unido, e diretor do Instituto Kavli de Cosmologia em Cambridge em uma declaração. “Acredito que se isso realmente quer dizer alguma coisa é preciso perguntar como ela se encaixa na chamada inflação cósmica… Isso realmente é intrigante”.

A inflação cósmica é uma das principais teorias que sugere que na primeira fração de segundo após o Big Bang o universo expandiu exponencialmente em tamanho.

“A teoria da inflação prevê que o universo atual deve aparecer uniforme nas maiores escalas em todas as direções”, explicou Efstathiou. “Essa uniformidade também deveria caracterizar a distribuição das flutuações nas maiores escalas dentro do fenômeno CMB. No entanto, essas anomalias, como o ponto frio confirmado pelo Planck, sugerem que esse não é o caso”.

Ao estudarem a região fria e outros mistérios na CMB, os físicos esperam conseguir discriminar as diferentes versões da teoria da inflação e, talvez, abrir a porta para novas teorias.

“Talvez ainda possamos eliminar essas anomalias por meio de análises mais precisas; por outro lado, elas também podem abrir a porta para algo muito mais grandioso — uma reavaliação de como toda a estrutura do Universo deveria ser”, declarou Krzysztof Gorski, um cientista colaborador do projeto Planck e pesquisador sênior no Laboratório de Jatopropulsão em Pasadena, na Califórnia.

Fonte: http://www2.uol.com.br/

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2 comentários em “Cientistas discutem a estranha mancha densa do Universo.

  1. se é pra discutir, aqui vai minha opinião (s/diploma)…a figura ovalada acima é um retrato da distribuição de energia/matéria de quando o universo tinha aproximadamente 3 mil ºK de temperatura, com uma idade estimada de 380 mil anos (dados do wikipédia)…suponho que a diferença de cores seja resultante da distribuição aleatória entre matéria e energia escura; numa inflação clássica, essa distribuição é homogênea e isotrópica, porém, dessa forma não haveria a possibilidade da criação de galáxias/buracos negros; assim, chegou-se à conclusão (teórica + experimental) das anisotropias na distribuição, o que sugere uma inflação caótica (de acordo com Linde).
    Por outro lado (teórico), uma inflação caótica remete, diretamente, à teoria do caos, que por sua vez, é constituída, basicamente, de atratores e fractais; portanto, esses “vazios” podem ser interpretados como a consequencia de uma distribuição aleatória primordial.

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