Emil Rupp, o falso gênio que trabalhou com Einstein.

Durante cerca de 10 anos, Emil Rupp foi considerado um dos melhores e mais renomados físicos experimentais do mundo. Hoje, seus trabalhos são pouco mencionados pela comunidade científica, e ele se tornou conhecido por ter forjado resultados e por ter enganado muitos de seus colegas (entre eles, Albert Einstein).

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Nascido em 1898 na Alemanha, Rupp começou a se interessar por física muito cedo e, depois de concluir seus estudos, começou a fazer experimentos com raios canais (também conhecidos como raios anódicos). Esses raios são produzidos no interior de tubos de vidro nos quais é colocado um eletrodo positivo em uma extremidade e um eletrodo negativo no centro; íons são emitidos do positivo para o negativo e às vezes passam por pequenos buracos (canais) no eletrodo negativo, seguindo até a outra extremidade do tubo.

Rupp estudava o comportamento dos íons no vácuo e os padrões dos raios emitidos de um eletrodo para outro, e os resultados de seus experimentos logo chamaram a atenção da comunidade científica – inclusive de Einstein, que decidiu fazer um experimento com raios canais.

Alguns cientistas, como Robert Atkinson, notaram que, pelos relatos de Rupp, átomos em movimento eram mais facilmente observáveis do que átomos mais estáveis, o que não fazia muito sentido (afinal, a aceleração dificultaria análises). Quando Einstein o questionou sobre isso, Rupp admitiu que Atkinson estava correto, mas também disse que a maneira como conduziu o experimento compensava o problema.

Quando trabalharam juntos, Einstein encontrou outras incoerências nos resultados, mas, a princípio, atribuiu isso a descuidos, não a má-fé. Corrigindo os erros conforme apareciam, eles apresentaram o trabalho juntos, o que impulsionou a carreira de Rupp.

Em 1935, contudo, Rupp cometeu um grande erro, e já não conseguiu manter a imagem de pesquisador sério: quando declarou que havia obtido resultados nunca antes vistos em experimentos com raios canais, seus colegas o questionaram a respeito e, como ele não tinha acesso aos equipamentos necessários (tecnologia de ponta, na época), ficou evidente que ele estava disposto a forjar resultados para conseguir destaque.

O caso motivou investigações, e diversos cientistas encontraram falhas, omissões e resultados impossíveis que só ficaram claros após análises detalhadas. Rupp, sem poder contar com o benefício da dúvida, escreveu uma retratação a respeito de cinco artigos que havia publicado, e incluiu uma nota de seu médico dizendo que ele sofria com obsessões compulsivas e que escreveu os artigos em um “estado de sonho”.

Rupp foi gradualmente esquecido, e Einstein dividiu com a comunidade científica a culpa por ter acreditado no enganador.

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